Modelo de Negócio da Apple

Modelo de Negocio da Apple

O Modelo de Negócio da Apple os padrões e tipos convencionais e pode ser descrito como do tipo Isca e Anzol invertido. Também podemos denominá-lo como do tipo Freemium Invertido ou Hardware enquanto plataforma.

A empresa voltou a ocupar a primeira página dos jornais em todo o mundo recentemente ao atingir o valor de mercado de 1 trilhão de dólares. Um feito até então inédito no mundo empresarial (update: a Amazon também conseguiu isso logo em seguida).

A Apple conseguiu isso graças a um modelo de negócio que foge dos padrões convencionais como “venda barbeadores por preços muito baixos e ganhe dinheiro com a reposição das lâminas”, adotado de forma bem sucedida por empresas como a Gillette e a Nespresso.

O modelo de Isca e Anzol era considerado uma das grandes sabedorias empresariais do século 21: Se você fisgar seus clientes com uma isca (produto tecnológico muito barato / abaixo do custo de produção), você poderá fazer muito dinheiro com os suprimentos necessários para fazê-lo funcionar (ex: lâminas, cápsulas de café, cartuchos de impressora).

Empresas de videogame também vêm fazendo isso há décadas: vendem consoles por muito menos do que o custo de fabricação e depois vendem os jogos por preços exorbitantes. O próprio ecossistema de computadores pessoais baseados no sistema operacional Windows evoluiu para uma grande oferta de laptops e desktops baratos, enquanto o dinheiro era ganho em softwares como Office, Photoshop, Anti-vírus, etc.

Mas a Apple veio invertendo essa lógica ao longo dos anos até que em 2013 ela anunciou que seu sistema operacional e outros softwares de produtividade como o iWork seriam oferecidos gratuitamente dali em diante. Para a a fabricante de computadores estava claro que deveria dobrar a aposta em vender uma plataforma premium e não nos suprimentos para fazê-la funcionar.

Comprar um aparelho Apple passou a ser uma garantia de uma continua oferta dos elementos básicos para uma experiência digital incrível. Na essência, a empresa passou a oferecer serviços embutidos no preço do produto, compreendendo que sua constante evolução tecnológica (e necessidade de troca por aparelhos novos) traria a receita necessária essa oferta completa.

Muitos vão dizer que a Apple ganha dinheiro com hardwares extras (como conectores e cabos), mas essa não faz parte de sua estratégia de ganhar dinheiro. Pelo contrário, faz mais parte de fomentar um ecossitema de parceiros que desenvolvem estes hardwares e vivem disso, e da estratégia se posicionar como empresa sempre à frente do tempo, em constante busca pela simplificação. O design minimalista e adoção antecipada de novas tecnologias (como abandonar drives de CD ou adotar o USB-C) é a essência da Apple.

Mas vamos nos aprofundar no sucesso do modelo de negócios da Apple dividindo a análise em 3 partes:

1) Hardware Enquanto Plataforma versus Hardware Enquanto Canal de Distribuição

A indústria de celulares evoluiu do domínio da verticalmente integrada Nokia em 2000 para a, também verticalmente integrada, Apple que liderou os lucros do segmento pelos últimos 8 anos consecutivos oferecendo seu hardware enquanto uma plataforma de experiências móveis.

Players integrados verticalmente como a Apple possuem a maior parte do conjunto de hardware e software oferecido em seus aparelhos. Seguindo o caminho contrário, a Samsung cresceu aos custos da queda da Nokia, adotando a plataforma Android e aproveitando a integração de componentes existentes em seu portfólio de produtos eletrônicos estabelecidos.

Esses gigantes cresceram utilizando-se da estratégia de economias de escala para atingir lucratividades de dois dígitos obtidos essencialmente da venda do hardware. Para a Apple, suas receitas e lucros provenientes de software, serviços e percentual sobre transações em sua App Store e iTunes são maiores do seus concorrentes conseguem gerar, mas ainda são minúsculos quando comparados ao que ela gera com a venda de hardware.

A Microsoft, apesar de ser mais parecida com o Google, é apenas uma plataforma de software e serviços, mas desde a aquisição da Nokia ficou mais próxima da Apple, apesar do longo caminho que terá que percorrer até conseguir implementar a estratégia e atingir os mesmos resultados da líder do mercado. A própria Google também vêm trabalhando no desenvolvimento de seus aparelhos contratando especialistas e adquirindo empresas de hardware. Com a Amazon não tem sido diferente, em uma contínua disputa por preencher as lacunas em que seu ecossistema ainda não compete com o resto do mercado. Mas nestes casos, a estratégia é de desenvolver hardware para servir como um canal de distribuição de seus serviços.

Tirando estes grandes players, o resto é uma extensa cauda longa de empresas puramente de hardware que competem essencialmente em produto, preço, distribuição e promoção. As quais tem sido bem sucedidas em seus mercados domésticos, mas sem conseguir expandir para além disso. Essas empresas OEM não possuem controle sobre os sistemas operacionais que rodam, nem serviços ou outras formas de fazer dinheiro ou fidelizar seus usuários. Elas não possuem as competências necessárias para expandir seus negócios e seu destino no médio / longo prazo é de serem adquiridas ou extintas.

Mas, à medida que migramos na era da internet dos aplicativos baseados na nuvem (SaaS) para serviços baseados na nuvem (ex: Spotify, Google, Amazon, etc.), muitos desses players de serviços (também conhecidos como OTT) entraram no mercado de hardware com um modelo de negócio anti-Apple, oferecendo Hardware subsidiados (baixo custo) para servir de canal de distribuição. Ou seja, empresas como Amazon (com seu Echo Dot) e Google (Google Home Mini) batalham assim, no modelo tradicional Isca e Anzol ou numa espécie de Freemium.

2) A Apple é Dona de Seus Clientes

Um dos elementos essenciais do modelo de negócios da Apple é sua capacidade de “ser dona de seus consumidores”. A empresa cria estratégias para levar os consumidores ao seu ecossistema e depois mantê-los lá, o que tem sido um enorme sucesso até agora e permitiu que a Apple exercesse enorme poder na cadeia de fornecimento de ponta a ponta.

Esse modelo de negócios dá à Apple a capacidade única de manter uma estratégia de terceirização de baixo custo, ao mesmo tempo em que mantém altos preços e, consequentemente, bloqueia o consumidor por meio do alto custo de mudança. Uma das principais facetas do modelo de negócios da Apple é garantir que o conteúdo da Apple só possa ser reproduzido em dispositivos Apple, pois isso ajuda a manter o seu marketshare do download digital e, por sua vez, impulsiona o volume de vendas para dispositivos de hardware lucrativos. A Apple mantém essa integração de plataforma multicanal por meios legais e tecnológicos e amplia seu mantra de controle além da multi-plataforma para todos os parceiros da cadeia de suprimentos, incluindo fornecedores e fabricantes.

A Apple se concentra em fornecer a melhor experiência para seus usuários projetando sistemas operacionais, hardware, software de aplicativos e serviços próprios. Em seguida, integra-os perfeitamente para criar produtos fáceis de usar. A Apple não depende de seus parceiros para quaisquer avanços técnicos. Ela inova no seu próprio ritmo.

Existem inúmeras empresas no mundo que são boas na construção de hardware ou na montagem de componentes. Mas, construir sistemas operacionais robustos para rodar nesse hardware é difícil. Ainda mais difícil é criar comunidades de desenvolvedores que desenvolvem aplicativos para esses sistemas operacionais. Outros fabricantes de computadores pessoais ou fabricantes de celulares possuem grande dificuldade de vencer a Apple nisso.

A diferenciação do produto ajuda a Apple a manter um preço premium. Quando combinada com uma estratégia de terceirização e montagem de produtos de baixo custo, a Apple é capaz de melhorar as margens de lucro do negócio. Os lucros crescentes fornecem investimentos para pesquisa e desenvolvimento e marketing e publicidade para desenvolver e vender produtos inovadores.

Modelo de Negocio Integrado da Apple

A Apple também adota o modelo de plataforma multilateral, e apesar de não ser a sua maior fonte de receita/lucratividade, também é parte fundamental de possuir os clientes. Tanto o iTunes quanto a Apple Store são plataformas para que proprietários de conteúdo e desenvolvedores de software vendessem seus conteúdos e aplicativos, respectivamente. Os consumidores acessam essas plataformas por meio de dispositivos da Apple e pagam para os proprietários de conteúdo e desenvolvedores de aplicativos pelo conteúdo e aplicativos pagos. A Apple cobra uma taxa dos proprietários e desenvolvedores de conteúdo porque possui e mantém as plataformas que conectam os consumidores a elas.

Essas plataformas são projetadas para induzir efeitos de rede entre os lados da plataforma. À medida que a base de clientes da Apple cresce e mais consumidores acessam as plataformas com seus dispositivos, a plataforma se torna mais atraente para os desenvolvedores de aplicativos e os proprietários de conteúdo. Da mesma forma, um acesso centralizado ao conteúdo e aos aplicativos certificados atrai mais consumidores para a plataforma.

Os dispositivos e as plataformas ajudam a Apple a prender o consumidor em seu ecossistema. Primeiro, a Apple cria amarras de hardware com os dispositivos. Em seguida, cria amarras de software com software de sistema operacional, software de aplicativo e software e aplicativos de terceiros. Em seguida, com o iCloud ajuda a Apple a criar amarras de dados.

Conteúdo e App Store da Apple

3) A Alta Rentabilidade da Apple

A maioria das discussões envolvendo os resultados financeiros da Apple posiciona o iPhone como responsável pela boa sorte da empresa. Enquanto o iPhone responde por aproximadamente 60% da receita da Apple, o dispositivo não conta a história completa.

Considere a linha de produtos atual da Apple:

  • O smartphone mais lucrativo
  • O tablet mais lucrativo
  • O laptop mais lucrativo
  • O desktop mais lucrativo
  • O smartwatch mais lucrativo
  • Os fones de ouvido sem fio mais lucrativo
  • A caixa de TV de streaming mais lucrativa

Poucos fabricantes de hardware ganham dinheiro vendendo smartphones e tablets. O dinheiro encontrado no negócio de componentes não chega perto da lucratividade da Apple. Os fabricantes de laptops e desktops mais vendidos só podem sonhar com as margens do Mac. A Apple é a empresa de wearables mais lucrativa. Mesmo os produtos menores da Apple, do ponto de vista de vendas, como a Apple TV, estão ganhando lucro em uma indústria de margens apertadas.

Apple Receitas por Produto 2017

Pode ser fácil olhar para esses produtos e concluir que a Apple deve estar sobrecarregando seus clientes. De que outra forma a Apple pode vender tantos produtos líderes em lucratividade? Contudo:

  • O Apple Watch e os AirPods estão subvalorizados em relação à concorrência.
  • O MacBook tem preço competitivo com laptops com desempenhos semelhantes.
  • O iPhone tem um preço competitivo com os smartphones Galaxy da Samsung.

A linha de produtos da Apple mostra que há mais do que apenas precificação por trás da capacidade da administração de extrair lucro de uma indústria. Todo o modelo de negócios da Apple predispõe a empresa à geração superior de fluxo de caixa livre.

A melhor maneira de começar a dissecar as finanças da Apple é dar uma olhada mais de perto no modelo de negócios da Apple. Existem três princípios, ou crenças, que sustentam o modelo de negócios da Apple.

a. Colocar o produto acima de tudo

A geração de caixa superior da Apple começa todo o caminho de volta nos laboratórios de P & D. A administração é motivada por criar ótimos produtos, sem gerar grandes lucros. Embora os executivos da Apple aproveitem todas as oportunidades para reiterar esse ponto, a maioria dos observadores externos acha que é apenas conversa ou RP. No entanto, o desempenho financeiro da Apple respalda a reivindicação da administração. A Apple não projeta e vende produtos para gerar receita. Se a Apple for capaz de produzir ótimos produtos, a administração está confiante de que os consumidores gostarão do produto e do lucro. Essa motivação resulta em uma estratégia de produto muito mais exclusiva do que a de outras empresas.

b. Manter-se focado

A Apple valoriza a arte de se concentrar, dizendo não às grandes idéias, a fim de concentrar toda a empresa em algumas idéias realmente ótimas. Esse nível intenso de foco se estende até os esforços de pesquisa e desenvolvimento da Apple. A quantidade de dinheiro que a Apple gasta em P & D como porcentagem da receita está bem abaixo da de seus pares. Além disso, a estratégia de fusões e aquisições da Apple segue um protocolo semelhante, já que a administração é muito deliberada em suas compras, concentrando-se em tecnologia e compras de pessoas capazes de tapar buracos na base de ativos.

c. Uso de fabricantes contratados

A Apple é uma empresa de produtos que confia em outros para montar seus produtos. Embora a Apple traga quantidades significativas de dinheiro das vendas de hardware, a geração de fluxo de caixa livre da empresa recebe um grande impulso do uso de fabricantes contratados. Em vez de possuir uma extensa rede de fábricas em todo o mundo, a Apple investe em equipamentos e maquinários localizados nas fábricas de outras empresas. Isso resulta em gastos da Apple muito menos em despesas de capital como porcentagem da receita. A Apple está a caminho de gastar US $ 15 bilhões em despesas de capital este ano. Alfabeto e Amazon gastam quase tanto em despesas, apesar de ter uma base de receita muito menor. Isso significa que uma parte significativa do fluxo de caixa operacional da Apple acaba sendo um fluxo de caixa livre e pode ser considerado um dinheiro realmente “em excesso”.

Estes três fatores desempenham um grande papel na Apple vendendo hardware altamente rentável que se destaca da concorrência

Os três princípios centrais anteriores se juntam para fazer com que o modelo de negócios da empresa se destaque do de seus pares. Em alguns casos, o hardware da Apple passou a deter participação de mercado semelhante a um monopólio em sua respectiva categoria de produto (iPod, iPad, Apple Watch). Para outros produtos, o hardware da Apple continua sendo o pequeno player na cidade em termos de participação de vendas (iPhone, Mac, Apple TV). No entanto, em quase todos os exemplos, a Apple acaba sendo a líder em lucro, porque a administração olha a escala de maneira diferente de outras empresas. A Apple não vê escala como um requisito para alcançar o sucesso. Isso tem implicações importantes na estratégia de preços da Apple, além de como a empresa pensa em monetização.

A escala de abordagem do Facebook e do Google é muito diferente. Para ambas as empresas, a escala é necessária para atingir o maior número possível de pessoas (e seus dados). Os dados adicionais aprimoram e aprimoram seus serviços gratuitos. O modelo de negócios da Amazon também depende da escala, embora de um tipo diferente. Grande parte dos investimentos contínuos da empresa (transporte, logística, nuvem e inteligência artificial) são projetados para que você compre mais e mais produtos através da Amazon. Este nível significativo de investimento provavelmente será necessário para o futuro previsível.

O Business Model Canvas da Apple

O modelo canvas da Apple possui a seguinte estrutura:

Modelo de Negócio da Apple - Business Model Canvas.001

Em Resumo

A Apple é uma empresa de design focada na venda de ferramentas capazes de promover experiências superiores. A escala é considerada um subproduto de um modelo de negócios funcionando adequadamente.

Facebook e Google são empresas de serviços focadas em oferecer serviços gratuitos de captura de dados para o maior número de pessoas possível. Os modelos de negócios dependem da escala para acessar o máximo de dados possível. A Amazon é uma empresa de plataforma de varejo focada em fazer com que você compre mais coisas com o tempo. A escala em termos de volume de compras é necessária para que o ciclo de fluxo de caixa / reinvestimento continue.

Há exceções para esses temas subjacentes, como o Apple Music, que precisa de escala para se tornar um melhor serviço de streaming de música. Além disso, a Apple Pay precisa de uma adoção generalizada do varejista para fazer sentido para os consumidores. No entanto, esses exemplos apenas reforçam a singularidade encontrada no principal modelo de negócios da Apple. Em vez de serem os principais provedores de receita ou lucro, a Apple Music e a Apple Pay são serviços destinados a aumentar o valor encontrado com o hardware da Apple.

Juntando as peças

A Apple possui o melhor modelo de negócios para gerar dinheiro porque a empresa é capaz de monetizar experiências premium com muito mais eficácia e eficiência do que qualquer outra empresa. Em vez de perseguir a escala com o objetivo de monetizar dados ou uso, a Apple vende ferramentas que as pessoas vão querer e estão dispostas a pagar mais caro.

Embora a Apple não considere a escala como um requisito para o sucesso, a empresa, sem dúvida, se beneficia da escala de algumas maneiras. Mais economia de escala ajuda a reduzir os custos do produto ao longo do tempo, o que melhora a acessibilidade do produto e a lucratividade da Apple.

Há vários exemplos na última década em que os concorrentes da Apple não puderam enviar produtos competitivos, pois a Apple comprou toda a oferta de componentes disponíveis. Esses elementos não definem o caixa eletrônico da Apple, mas representam o lubrificante que o faz funcionar mais suavemente.

Resumo
Modelo de Negócio da Apple
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Descrição
O Modelo de Negócio da Apple desafia os padrões e tipos convencionais e pode ser descrito como do tipo Isca e Anzol invertido. Também podemos denominá-lo como do tipo Freemium Invertido ou Hardware enquanto plataforma.
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O Analista de Modelos de Negócios
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