O que é Bootstrapping?

O que é Bootstrapping?

De maneira simplificada, no âmbito dos negócios, bootstrapping é o processo de começar uma empresa do zero, sem ajuda financeira de ninguém, além das próprias economias – ou da renda oriunda das primeiras vendas.

Por mais estranho que pareça, Bootstrapping é um termo que teve origem há dois séculos. Entretanto, ao longo desses 200 anos, ele foi ganhando novos usos e significados, nas mais diversas áreas, desde a biologia até a administração.

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Hoje, ainda que bootstrapping seja utilizado nas mais distantes esferas, o que existe em comum entre todas é que sempre se trata de realizar um processo sem ajuda externa. Vamos nos aprofundar um pouco mais?

A origem do conceito

o que é bootstrapping?

O termo bootstrapping nasceu na Inglaterra na década de 1880, como um acessório para calçar botas. As botas de cano alto possuíam uma espécie de alça na parte superior, chamada de “bootstrap”, com o objetivo de facilitar a elevação no calçado ao puxar as botas para calçá-las.

Então, surgiu o ditado “pull oneself up by one’s bootstraps” que, em português, significa algo como “puxar-se pelas próprias botas” e era utilizado para referir-se a tarefas praticamente impossíveis.

No entanto, a expressão foi ganhando novos contornos e, lá pela década de 1920, já queria dizer algo como melhorar a si mesmo sem a ajuda de ninguém, com seu próprio esforço, seu impulso pessoal. Esta metáfora gerou outras que seriam utilizadas para processos autossustentáveis.

Bootstrapping nos negócios

No âmbito do empreendedorismo e das finanças, bootstrapping é construir um negócio do zero, sem nenhum dinheiro ou aportes externos. Ou seja, abrir uma empresa com seus próprios recursos, por sua conta e risco.

Estima-se que cercas de 80% das startups surgem assim, via bootstrapping, financiadas pelos próprios fundadores. A média de capital inicial gira em torno dos 10 mil dólares.

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Vantagens e desvantagens do bootstrapping

Bootstrapping é uma escolha complicada. Ao optar por fazê-lo, o empreendedor fica com todo o risco financeiro da operação. Em resumo, se a empresa não der certo, pode comprometer as finanças pessoais de seu(s) fundador(es).

Além disso, recursos muito limitados podem dificultar o crescimento da organização, prejudicar a qualidade do produto ou serviço a ser ofertado, impossibilitar a contratação de talentos para a equipe, além de possivelmente impedir o investimento em marketing e divulgação, essenciais especialmente no começo das operações.

Ainda, o bootstrapping às vezes restringe a credibilidade da organização. O apoio de investidores conhecidos e respeitados automaticamente proporciona mais visibilidade e maior respeito entre fornecedores e clientes.

Por outro lado, quem opta pelo bootstrapping pode manter controle total sobre o negócio. Em palavras simples, como o fundador não tem ninguém a quem responder (investidores, acionistas etc.), ele pode tomar todas as decisões referentes ao seu negócio, bem como fazer toda a experimentação que desejar com sua marca.

Além disso, o foco da organização estará concentrado no produto ou serviço a ser desenvolvido e oferecido. Não precisa investir tempo e energia com busca de investimentos, capitalização, especulação, entre outros.

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Bootstrapping e o crescimento orgânico

Uma empresa bootstrap normalmente passa por dois estágios: o dinheiro semente e o dinheiro do cliente. O dinheiro semente é o primeiro passo, quando o empreendedor junta suas economias pessoais ou aciona amigos e familiares para dar início a seu negócio.

O dinheiro semente também pode vir de um outro negócio ou profissão já em andamento. Isto é, o fundador continua a trabalhar em um serviço que já desempenhava para gerar receita a ser investida em seu novo empreendimento, tudo ao mesmo tempo.

A segunda etapa é gerar receita com o novo negócio, através da aquisição de clientes. Nesse momento, a renda proveniente das vendas é devolvida ao negócio, para mantê-lo em funcionamento e fomentar seu crescimento.

Portanto, o crescimento das empresas nascidas por bootstrapping é orgânico. Trata-se, no fim das contas, de um processo de retroalimentação, onde tudo o que a empresa gera volta para ela – ao menos no começo. Por isso, o crescimento é mais lento do que startups que contam com grandes aportes financeiros externos.

Contudo, ao contrário do que possa parecer, há marcas gigantescas aí fora que nasceram do bootstrapping, tais como Microsoft, eBay, Oracle e Cisco. Isso porque seus fundadores tinham o perfil necessário para empreender um bootstrap.

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Características de um bootstrapper

O empreendedor que escolhe fazer o processo de bootstrapping – chamado de bootstrapper – precisa estar disposto a enfrentar o desafio. Isso porque, abrir um negócio do zero, sem financiadores externos, exige uma mentalidade peculiar. Para quem quiser encarar a aventurar, aqui vão algumas observações:

  • Bootstrappers concentram-se em gerar lucro, isto é, em desenvolver clientes pagantes. Eles não podem gastar dinheiro – porque eles não têm dinheiro de ninguém para gastar! Por isso, costumam desenvolver ao menos um produto de alta margem para começar.
  • Bootstrappers estão conscientes de que suas empresas crescerão organicamente, ou seja, em longo prazo.
  • Bootstrappers são corajosos e passionais. Eles arriscam tudo o que têm e estão dispostos a dedicar seu tempo e energia a seu negócio, especialmente no início.
  • Bootstrappers acumulam diferentes habilidades, já que é bastante comum que eles precisem cuidar do marketing, RH, financeiro, um pouco de tudo até que consigam bancar uma equipe especializada.
  • Bootstrappers inovam diariamente e buscam soluções criativas para os problemas do cotidiano, visto que não têm capital para pagar alguém para solucioná-los.
  • Bootstrappers constroem clientes leais, parcerias e fluxos de receita recorrentes, pois eles precisam manter o negócio com a renda gerada todos os meses.
  • Bootstrappers geralmente são melhores empreendedores, pois são implacáveis, não desistem facilmente e nunca param de aprender e de se reinventar.
  • Bootstrappers acordam cedo, passam o dia no trabalho, trabalham bem sob pressão, eliminam distrações desnecessárias e são extremamente produtivos.
  • Bootstrappers também costumam economizar naturalmente e conseguem manter um padrão de vida minimalista até que seu negócio se torne lucrativo.

Em linhas gerais, começar um negócio do nada pode soar interessante e até romântico. No entanto, por trás do bootstrapping, existe uma realidade de recursos limitados, orçamentos apertados e crescimento silencioso.

De qualquer forma, o mercado está cheio de histórias de sucesso de empresas que escolheram o bootstrapping. Trata-se, afinal, de uma opção bastante viável para começar um negócio.

Claramente, não é um caminho fácil ou simples. Ao contrário, demanda coragem e resiliência para enfrentar o desafio. É, em suma, um teste decisivo para todos os envolvidos na gestão do empreendimento.

 

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